Postado 19 de maio de 2026 em Viva!Verde por Andrea Benedetti

Embora não contraiam a gripe humana como conhecemos, os felinos podem desenvolver infecções que acometem principalmente o trato respiratório superior, popularmente conhecidas como gripe felina. Trata-se de uma condição relativamente comum na rotina clínica, com quadros que podem variar de leves a mais graves, dependendo do estado de saúde do animal.
A gripe felina é causada, na maioria dos casos, por agentes virais específicos da espécie, com destaque para o herpesvírus felino tipo 1 e o calicivírus felino. Esses vírus são altamente contagiosos entre gatos e se disseminam com facilidade em ambientes com maior densidade populacional, como casas com múltiplos animais, abrigos e gatis.
A transmissão ocorre principalmente por contato direto com secreções respiratórias, além do contato com objetos contaminados ou proximidade com animais doentes. É importante ressaltar que a gripe felina não é uma zoonose, ou seja, não pode ser transmitida para humanos, e nem para outras espécies.
Os sinais clínicos podem variar em intensidade. Entre os sintomas mais observados estão espirros frequentes, secreção nasal, que pode variar de transparente a espessa e purulenta, lacrimejamento ocular, conjuntivite, febre, apatia e diminuição do apetite. Em alguns casos, o gato pode apresentar dificuldade para se alimentar devido à redução do olfato ou até desconforto respiratório.
Filhotes, gatos idosos e animais com imunidade comprometida tendem a desenvolver quadros mais graves. Além disso, podem ocorrer infecções bacterianas secundárias, o que contribui para a piora dos sintomas.
Ao identificar qualquer alteração respiratória, a conduta mais indicada é procurar avaliação de um médico veterinário. Não se deve medicar o gato por conta própria, pois muitos medicamentos de uso humano são tóxicos para a espécie e podem causar efeitos graves, incluindo risco de morte. O tratamento varia conforme a gravidade do caso e pode envolver o uso de medicamentos específicos, além de terapias de suporte, como hidratação adequada e estímulo à alimentação.
Durante a recuperação, é recomendável oferecer alimentos úmidos ou pastosos, que podem ser apresentados em pequenas quantidades ao longo do dia para estimular a ingestão alimentar, e que podem ser levemente aquecidos. Assim, o aroma se espalha no ambiente e promove maior interesse no animal.
Manter o gato em um ambiente tranquilo, aquecido e com fácil acesso à água também contribui para uma recuperação mais eficiente. Em casos leves, os sinais clínicos costumam durar entre sete e dez dias, podendo se prolongar em situações mais complexas.
A avaliação veterinária emergencial é indicada quando o gato apresenta dificuldade respiratória, febre persistente, ausência de alimentação por mais de 24 horas ou prostração intensa.
Na maioria dos casos, os sintomas podem ser controlados com tratamento adequado. No entanto, alguns vírus, como o herpesvírus felino, permanecem no organismo de forma latente e podem se reativar em situações de estresse ou queda da imunidade. Por isso, além do tratamento, é importante adotar medidas que reduzam fatores de estresse no ambiente.
Respeitar o comportamento natural do gato é essencial. Mudanças na rotina ou no ambiente devem ser feitas de forma gradual, e a introdução de novos animais deve ocorrer de maneira controlada, mantendo-os inicialmente separados até que haja adaptação ao cheiro e à presença um do outro.
A prevenção das doenças respiratórias em gatos baseia-se principalmente em manter a a vacinação em dia, especialmente com a vacina múltipla felina, além da correta higienização do ambiente, redução do estresse e evitar o contato com animais doentes.
Em caso de qualquer suspeita de gripe ou alterações respiratórias, o acompanhamento veterinário é fundamental para garantir o bem-estar e a qualidade de vida do gato.
Por Giordana Vasconcelos, médica veterinária na Viva!Verde
