Postado 10 de setembro de 2026 em Viva!Verde por Andrea Benedetti

Ter plantas em casa pode deixar o ambiente mais bonito e agradável, mas, para quem tem gatos, algumas espécies precisam de atenção. Os gatos são animais curiosos e podem mastigar folhas, flores ou outras partes das plantas enquanto exploram o ambiente. Além disso, o hábito de lambedura pode fazer com que substâncias presentes no pelo sejam ingeridas posteriormente.
O problema é que algumas plantas ornamentais possuem substâncias capazes de causar desde irritações na boca e alterações gastrointestinais até lesões graves nos rins, fígado e coração. Por isso, antes de escolher uma planta para deixar dentro de casa, é importante saber se ela é segura para o seu gato. Listamos abaixo quais são as principais plantas tóxicas para gatos
Os lírios estão entre as plantas de maior risco para os gatos. A ingestão de pequenas quantidades de determinadas espécies pode causar lesão renal aguda, que pode evoluir rapidamente para insuficiência renal e morte. E o risco não está apenas em mastigar a planta. O pólen também pode entrar em contato com o pelo do gato e ser ingerido durante a higiene. A água do vaso onde fica a planta também pode representar uma fonte de exposição. Por isso, quando há gatos em casa, o mais seguro é não manter esses lírios no ambiente.
Muito utilizada em jardins e áreas externas, a azaleia contém substâncias chamadas grayanotoxinas, que afetam o sistema nervoso e cardiovascular. A intoxicação pode causar salivação excessiva, vômitos, diarreia, fraqueza, alterações cardíacas e, em casos mais graves, tremores e convulsões. Mesmo pequenas quantidades podem provocar sinais clínicos importantes.
A espirradeira contém glicosídeos cardíacos, substâncias que interferem no funcionamento das células do coração. A intoxicação pode causar vômitos, fraqueza e alterações na frequência e no ritmo cardíaco, podendo evoluir para arritmias graves, colapso e morte.
Apesar de seu uso ornamental, a palmeira-sagu pode causar intoxicação grave. A cicasina, presente na planta, está associada principalmente a lesões no fígado. Os animais intoxicados podem apresentar vômitos, diarreia, alterações de coagulação, icterícia e sinais neurológicos, como convulsões, nos casos mais graves.
A trombeta possui alcaloides tropânicos, como atropina e escopolamina, que afetam o sistema nervoso. A ingestão pode provocar alterações neurológicas e sinais relacionados à ação anticolinérgica dessas substâncias, como alterações nas pupilas, aumento da frequência cardíaca, agitação e alteração do estado de consciência.
A hortênsia contém glicosídeos cianogênicos, que podem liberar cianeto durante o metabolismo. A intoxicação pode causar sinais gastrointestinais e, em exposições mais importantes, alterações respiratórias e neurológicas.
É uma planta muito conhecida nos ambientes domésticos e seu principal mecanismo de toxicidade é diferente dos anteriores. Ela possui cristais insolúveis de oxalato de cálcio, que provocam irritação quando a planta é mastigada. O gato pode apresentar dor e ardência na boca, salivação intensa, inchaço da língua e da garganta e dificuldade para engolir. Em alguns casos, o edema pode comprometer a respiração.
O copo-de-leite pertence à mesma família botânica do comigo-ninguém-pode e também contém cristais insolúveis de oxalato de cálcio. Quando mastigada, a planta pode causar irritação intensa da boca, salivação excessiva, dor, dificuldade para engolir e inchaço das mucosas. Apesar de raramente causar intoxicações fatais, o desconforto costuma ser importante.
Plantas como jiboia (Epipremnum aureum), filodendros (Philodendron spp.) e costela-de-adão (Monstera spp.) também possuem cristais de oxalato de cálcio. Por isso, podem causar irritação e dor na boca, salivação, vômitos, dificuldade para engolir e inchaço após serem mastigadas.
E se o gato ingerir uma planta tóxica?
A gravidade da intoxicação depende da espécie da planta, da parte ingerida e da quantidade. Por isso, ao perceber que o gato mastigou ou ingeriu uma planta suspeita, o ideal é procurar atendimento veterinário o quanto antes. Sempre que possível, leve uma foto ou uma amostra da planta para ajudar na identificação. Não ofereça medicamentos ou tente provocar vômito por conta própria. Algumas intoxicações evoluem rapidamente e o tratamento depende do princípio tóxico envolvido.
Atenção também aos buquês
Mesmo que você não tenha plantas tóxicas em casa, é preciso ter cuidado com flores recebidas de presente. Lírios, por exemplo, podem chegar em buquês em ocasiões como aniversários e datas comemorativas.
Antes de colocar qualquer arranjo ao alcance do gato, procure identificar todas as espécies presentes. Se houver uma planta potencialmente tóxica e não for possível mantê-la completamente fora do acesso do animal, o mais seguro é retirá-la do ambiente.
Quando se tem um gato em casa, escolher uma planta ornamental não é apenas uma questão de estética. Conhecer as espécies e seus riscos é uma das formas mais simples de prevenir uma intoxicação e manter o ambiente realmente seguro para o animal.
Por Luana Vieira, médica veterinária na Viva!Verde
