Postado 2 de setembro de 2026 em Viva!Verde por Andrea Benedetti

É comum vermos nas redes sociais gatos usando roupas, fantasias, coleiras estilosas ou até passeando na rua. Embora essas imagens possam parecer fofas, é importante lembrar que os gatos enxergam o mundo de uma forma muito diferente da nossa. O que pode parecer divertido para os humanos nem sempre é confortável ou saudável para eles.
Segundo especialistas em comportamento felino da International Cat Care (iCatCare), os gatos são animais extremamente sensíveis às mudanças em seu ambiente e à perda de controle sobre seus movimentos. Situações que limitam comportamentos naturais podem gerar estresse, medo e ansiedade.
Roupinhas e fantasias: quando o “fofo” pode virar desconforto
Ao contrário dos cães, a maioria dos gatos valorizam liberdade de movimento, previsibilidade e controle sobre o ambiente.
Roupas, fantasias, capas e outros adereços podem interferir na comunicação corporal do gato, limitar seus movimentos e causar desconforto físico. Alguns gatos podem congelar, deitar-se no chão ou se mover de forma estranha ao vestir uma roupa. Muitas vezes isso é interpretado como tranquilidade, mas na verdade pode ser uma resposta ao estresse.
Além disso, acessórios apertados ou com partes soltas podem causar irritação, prender unhas ou até representar risco de acidentes.
Coleiras decorativas, laços e acessórios de moda
Laços, gravatas, chapéus e itens puramente decorativos podem causar desconforto ou aumentar a sensação de vulnerabilidade. Se o uso de uma coleira for necessária para identificação, ela deve ser específica para gatos, ajustada corretamente e preferencialmente possuir sistema de abertura de segurança.
Observe sempre a reação do seu gato. Se ele tentar remover o acessório, se esconder, ficar imóvel, vocalizar excessivamente ou demonstrar irritação, provavelmente está se sentindo desconfortável.
Passear com o gato: nem todo felino gosta
Outro erro comum é acreditar que todos os gatos precisam passear como os cães.
Para muitos felinos, sair de casa sem preparo pode ser extremamente estressante. Sons desconhecidos, pessoas, cães, veículos e mudanças constantes no ambiente podem provocar medo intenso.
Isso não significa que gatos nunca possam passear. Alguns indivíduos podem aprender a utilizar peitoral e guia com segurança, mas isso deve ser feito de forma gradual, respeitando a personalidade e o ritmo de adaptação do animal.
Como saber se meu gato está estressado?
Os sinais nem sempre são óbvios. De acordo com a iCatCare, gatos frequentemente demonstram estresse de maneira sutil.
Fique atento a sinais como:
O estresse crônico pode impactar não apenas o comportamento, mas também a saúde física dos gatos. Estudos em medicina felina demonstram relação entre estresse e doenças do trato urinário, reforçando a importância do bem-estar emocional.
O que fazer em vez disso?
Em vez de investir em acessórios que podem gerar desconforto, priorize aquilo que realmente contribui para a qualidade de vida do seu gato:
Essas estratégias estão alinhadas com as recomendações de bem-estar felino e ajudam o gato a expressar seus comportamentos naturais de forma saudável.
Quando procurar ajuda?
Se você tiver dúvidas sobre o uso de peitorais, passeios, adaptação a acessórios ou observar qualquer alteração comportamental, procure um médico veterinário com experiência em comportamento felino.
Cada gato é único. O que funciona bem para um pode ser altamente estressante para outro. Respeitar as preferências individuais do seu felino é uma das melhores formas de demonstrar cuidado e carinho.
Por Nícolas Marcolin, Gerente do Canal Veterinário na Viva!Verde
